Fotometria multicor JHKs da nova anã V2051 Oph em quiescência

Eduardo Luann Wojcikiewicz Duarte Silva

Novas anãs são sistemas binários próximos onde uma estrela evoluída de baixa massa (a secundária) preenche seu lobo de Roche e transfere matéria à uma anã-branca (a primária) por meio de um disco de acréscimo. Estes sistemas apresentam aumentos súbitos de luminosidade (erupções) com duração que varia de dias a semanas, recorrendo numa escala de meses a anos, no entanto sem periodicidade. Por conta desta variabilidade numa escala de tempo humana, novas anãs são excelentes laboratórios para estudarmos a física de acréscimo, que tem um papel fundamental na formação estelar e planetária. Existem duas hipóteses diferentes para as causas da erupção: O MTIM (Mass Transfer Instability Model) atribui as erupções à resposta de um disco viscoso a uma variação na taxa de transferencia de matéria, enquanto o DIM (Disk Instability Model) atribui à uma instabilidade termoviscosa a causa da erupção.

V2051 Oph é uma nova anã, subclasse das Variáveis Cataclísmicas caracterizada por erupções com amplitudes de 2 a 5 magnitudes, com duração de alguns dias; de curto período (90 min) e alta inclinação. São apresentadas curvas de luz do objeto em quiescência nas bandas J,H e Ks do infravermelho obtidas com o telescópio SOAR de 4m, bem como as contribuições modeladas do disco de acréscimo e da secundária. A modelagem indica cores bastante distintas para o disco e para a secundária, refletindo a diferença na temperatura das fontes. Os fluxos estimados para a secundária permitem estimar sua temperatura e a distância ao sistema. O aumento da largura do eclipse observado conforme o comprimento de onda aumenta está de acordo com a previsão teória para a distribuição radial de temperatura, T(r) \propto R^{-3/4}.