Uso da Mecano-Síntese no melhoramento de produtos Farmaceuticos

Prof. Dr. Carlos Eduardo Maduro de Campos

Técnicas de nanocristalização, amorfização, co-cristalização e de obtenção de polimorfos são utilizadas para aumentar a taxa de dissolução e, assim, a biodisponibilidade de drogas fracamente solúveis (com solubilidade inferior a 200 mg/ml). Porém, a estabilidade dos nanofármacos é uma questão crítica, e diferentes tipos de estabilizadores, polímeros, celuloses, surfactantes e lipídios, já foram testados para várias drogas. Ainda assim, a questão sobre como selecionar o melhor estabilizador para um fármaco de determinado medicamento continua sendo um problema em aberto. A Mecano-Síntese (MS) é uma maneira eficiente de produzir nanofármacos com uma boa relação custo-benefício, sendo que o escalonamento também é possível. As transformações de fase induzidas pelo processamento, especialmente as frações de fases amorfas geradas durante processos de moagem, e até mesmo durante o armazenamento de um medicamento podem afetar mecanismos de conversão de drogas cristalinas em co-cristais (complexos supramoleculares não iônicos que podem ser utilizados para resolver problemas de propriedades físicas, tais como estabilidade, solubilidade e biodisponibilidade, no desenvolvimento de medicamentos, sem alterar a composição química dos insumos farmacêuticos ativos (API)). Além disso, os defeitos criados nas superfícies de um sólido cristalino durante a moagem, devido às sucessivas colisões das ferramentas de moagem com o sólido, podem migrar, transformar-se e, então, causar uma mudança na rede cristalina inicial do sólido, polimorfismo. Formas polimórficas de uma substância de droga podem ter diferentes propriedades químicas e físicas, incluindo ponto de fusão, reatividade química, solubilidade aparente, taxa de dissolução, propriedades mecânicas e ópticas, pressão de vapor, e densidade. Assim, o polimorfismo pode afetar a qualidade, segurança e eficácia do medicamento. A DRX é a técnica indispensável (gold standard) para determinação de polimorfismos e identificação de fases cristalinas coexistentes. Outras técnicas também são úteis para caracterizar formas polimórficas de fármacos, incluindo a microscopia, análise térmica, espectroscopia de infravermelho e Raman, além da ressonância magnética nuclear em estado sólido. Nesta apresentação serão mostrados os resultados mais recentes obtidos nessa linha de pesquisa aqui na UFSC.